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MP das bets recebe 97 emendas: futebol pode voltar; cassino e cash out seguem na mira

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O prazo para mudar a MP das bets acabou às 23h59 desta terça-feira (13). Foram 97 emendas de 24 parlamentares. Cinco foram retiradas, e 92 seguem para a comissão mista do Congresso.

Para quem aposta, nada muda hoje. A proibição continua valendo. Mas os textos mostram quais tipos de aposta têm chance de voltar e quais o Congresso quer manter fora.

Quantas emendas a MP 1.394 recebeu e quem assinou

A Medida Provisória nº 1.394/2026 foi publicada em 25 de setembro e proíbe as apostas de quota fixa no Brasil. O prazo normal para emendas seria de seis dias. A Mesa do Congresso o estendeu para depois do primeiro turno das eleições.

O último dia concentrou boa parte do trabalho. Das 97 emendas, 38 foram protocoladas em 13 de outubro. Os números do levantamento do BNLData:

  • 97 emendas apresentadas no total;
  • 24 autores: 18 deputados e 6 senadores;
  • 5 retiradas pelos próprios autores;
  • 92 emendas vão para análise da comissão mista.

Segundo o BNLData, o Congresso não discute mais se vai mudar a MP. Discute quanto vai mudar.

Futebol pode voltar? As propostas que liberam apostas esportivas

A corrente mais numerosa separa aposta esportiva de cassino. Libera a primeira e mantém o segundo proibido. É também a posição pública do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência.

As principais propostas nessa linha:

  • Marcos Pontes (PL-SP), emenda 15: proíbe cassinos e jogos virtuais e devolve as autorizações das apostas esportivas.
  • Dr. Hiran (PP-RR), emenda 38: só admite apostas em eventos esportivos reais e limita o patrocínio à marca no uniforme.
  • Pedro Aihara (PP-MG) e Julio Lopes (PP-RJ), emendas 14 e 16: vedam apenas os slots, como o “tigrinho”.
  • Marcos Braz (PSDB-RJ), emenda 10: proíbe slots e apostas em lances isolados, mas mantém resultado e placar.

Há também quem queira reabrir tudo. O deputado Mauricio Neves (PP-SP) apresentou um substitutivo integral, a emenda 64. Ele devolve as licenças extintas e troca a proibição por regras mais duras que as da Lei 14.790/2023. Uma delas obriga a casa a identificar quem gasta acima do que a renda permite.

Outro grupo, com Bebeto (PP-RJ), Átila Lira (PP-PI) e Capitão Alden (PL-BA), mantém as autorizações válidas ou foca a proibição só no mercado ilegal.

Cartões, escanteios, ao vivo e cash out na mira do Congresso

Esta é a parte que mais interessa a quem aposta. Mesmo entre os que querem reabrir o mercado, há pressão para cortar mercados específicos.

A emenda de Marcos Braz proíbe apostas em lances individuais. Na prática, cartões, escanteios e pênaltis. O argumento é proteger a integridade das competições.

O senador Sargento Reginauro (PSDB-CE) foi além. Apresentou 16 emendas, todas no último dia. Uma delas torna permanente, em lei, a proibição de cassinos e jogos online. As outras valem só “se o Congresso readmitir” alguma modalidade. Nesse caso, ele propõe:

  • proibir apostas ao vivo;
  • proibir apostas em lances individuais;
  • acabar com o cash out;
  • impedir por dez anos nova licença para empresas punidas.

O senador Romário (sem partido-RJ) chegou a propor apostas apenas no resultado final e no saldo de gols. Retirou a emenda no último dia do prazo.

O que muda para o apostador se uma dessas emendas passar

Hoje, nenhuma emenda tem efeito. Elas dependem do relator e de votação no Congresso. Até lá, vale o texto original da MP, que proíbe as apostas de quota fixa.

Se a corrente majoritária vencer, o desenho que aparece nos textos é um mercado menor. Aposta em quem ganha e no placar poderia voltar. Cassino online e slots ficariam de fora. Cartões, escanteios e cash out correm risco mesmo numa reabertura.

Três cuidados práticos para quem apostava:

  • Não volte a apostar por rumor. Enquanto a MP vale, nenhuma casa pode operar legalmente no país.
  • Fuja dos sites que seguem no ar. Sem licença, não há verificação de idade, autoexclusão ou a quem reclamar se o saque travar.
  • Acompanhe a comissão mista. É lá que se decide quais mercados voltam, se voltarem.

Apostar, se voltar a ser permitido, é só para maiores de 18 anos e com responsabilidade.

A emenda de Marcos Braz, que separa resultado de lance isolado, já foi detalhada aqui: Emenda à MP das bets libera aposta em placar e mantém cassino vetado.

Licenças, patrocínio de clubes e destino do dinheiro

As emendas também tratam do lado das empresas. Cada licença custou R$ 30 milhões por cinco anos. A emenda 66, de Capitão Alden, devolve a parte proporcional desse valor, corrigida pela Selic. A emenda 29, de Julio Arcoverde (PP-PI), nega qualquer devolução.

Para os clubes, a principal proposta é a emenda 11, de Marcos Braz. Ela mantém as marcas de patrocinadores autorizados em uniformes e arenas até o fim da temporada, por no máximo 24 meses.

Já os valores perdidos por operadores irregulares, que a MP manda para o Fundo Nacional de Segurança Pública, são disputados por nove emendas. Uma delas, de Bruno Ganem (Podemos-SP), quer o dinheiro no SUS, para tratar o vício em apostas.

Próximo passo: a comissão mista da MP das bets

Com o prazo encerrado, as 92 emendas vão para a comissão mista de deputados e senadores. O relator aceita ou rejeita cada uma e monta a versão que vai a votação.

Medidas provisórias perdem a validade se não forem votadas no prazo constitucional. Por isso, as próximas semanas definem se as bets voltam, quais mercados voltam e em que condições. O Bet Blog acompanha cada etapa.

Com informações de bnldata.com.br.

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