No primeiro fim de semana após a assinatura da MP 1.394, 4.700 sites ilegais de apostas foram criados no Brasil. O número aparece em análise da revista VEJA, edição 3015, reproduzida pelo BNLData nesta sexta-feira.
O dado mais pesado vem antes disso. Em 2025, as apostas online movimentaram até R$ 97 bilhões no país, e 44% desse volume já passava por operadores ilegais, segundo a consultoria LCA. Com a proibição, esses sites passam a disputar o mercado inteiro.
Os números que explicam o risco
A regulamentação de 2023 exigia das casas licenciadas uma outorga de R$ 30 milhões por cinco anos, sede no Brasil, cadastro biométrico e veto a menores de idade. A MP tira a base jurídica dessas empresas sem prever reembolso.
- R$ 97 bilhões foi o volume das apostas online em 2025.
- R$ 43 bilhões desse total, ou 44%, ficaram com operadores ilegais.
- R$ 100 bilhões era a projeção de mercado para 2026, antes da MP.
- R$ 73 bilhões podem deixar de ser arrecadados em quatro anos, segundo a LCA.
- 15.000 empregos diretos e indiretos dependem do setor.
Onde a proibição já deu errado
A análise cita a experiência de outros países. Filipinas, Camboja, Laos e Mianmar baniram plataformas legais nos últimos anos. O resultado, segundo a UNODC, órgão da ONU contra o crime organizado, foi transformar o Sudeste Asiático na região com mais bets ilegais do mundo.
A China proíbe jogos de azar desde 1949 e vetou apostas em sites estrangeiros em 2020. Mesmo assim, os chineses gastam US$ 145 bilhões por ano em bets hospedadas em países vizinhos. É mais do que os US$ 91 bilhões da loteria oficial.
“Não conheço nenhum país que teve sucesso ao proibir as apostas online”, disse David Forrest, professor de economia da Universidade de Liverpool.
O que muda para quem aposta
A tradução prática é simples: qualquer site que continuar aceitando apostas depois do bloqueio das casas licenciadas está fora da lei. E isso tem consequências diretas para o seu dinheiro.
- Sem garantia de saque. Site sem sede no Brasil e sem licença não responde a órgão nenhum. Se o pagamento não cair, não há a quem recorrer.
- Sem biometria, sem proteção. O cadastro biométrico existia para impedir fraude e conta de laranja. Fora dele, seus dados e seu Pix ficam expostos.
- Influenciador promovendo casa nova é sinal de alerta. A Operação Desfortuna desmontou uma rede de 15 influenciadores, com mais de 30 milhões de seguidores, que divulgavam cassinos ilegais ligados ao PCC e ao Comando Vermelho. O esquema movimentou R$ 4 bilhões.
- Dinheiro de apostador vira lavagem. Em maio, a Operação Falsa Las Vegas bloqueou R$ 5,3 bilhões de um esquema do PCC. Sites ilegais são usados para lavar dinheiro do tráfico e de roubos.
Se você ainda tem saldo em uma casa licenciada, o momento de sacar é agora. O governo já determinou a derrubada de 5.209 sites e 186 aplicativos de apostas, com prazos definidos para o bloqueio.
Apostas são para maiores de 18 anos e devem ser feitas com responsabilidade. Em um site ilegal, nem essa regra básica existe.
O que esperar: STF, Congresso e eleições
A Associação Nacional de Jogos e Loterias pediu ao Supremo Tribunal Federal a suspensão da MP. O argumento é a falta de urgência para o uso do instrumento. A saída pelas licenças estaduais está fechada, porque o artigo 2º da MP veta as apostas de quota fixa nos estados e no Distrito Federal.
No Congresso, a MP tem 120 dias para ser votada. O cientista político Vitor Oliveira, da Pulso Público, avalia que governo e parlamentares devem adiar o tema até o fim das eleições. Depois disso, ainda há o Orçamento e os vetos presidenciais na fila.
O futebol sente o impacto em paralelo. O patrocínio das bets aos clubes da Série A saltou de R$ 295 milhões em 2018 para R$ 1,2 bilhão em 2025. “As equipes gastarão meses negociando novos contratos de patrocínio”, afirmou Fabiana Bentes, presidente do Instituto Sou do Esporte.
Com informações de bnldata.com.br.





