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Fim das bets: clubes discutem parar o Brasileirão e Bap prevê perda de R$ 2,5 bi em 2027

Presidente do Flamengo Luiz Eduardo Baptista, o Bap, que projeta perdas com o fim das bets

Dirigentes da Série A chegaram a discutir uma paralisação do Brasileirão como reação à MP 1.394, que proibiu as apostas de quota fixa. Nada foi decidido. A hipótese não tem consenso e nenhum clube decretou interrupção, segundo o iGaming Brazil.

O tamanho do rombo explica por que a ideia apareceu. Em 2025, os patrocínios de bets movimentaram R$ 1,03 bilhão entre os clubes da primeira divisão. Isso representou 33% das receitas comerciais e 7,2% da receita total dos times.

Por que parar o campeonato entrou na conversa

Em 2025, 14 dos 20 clubes da Série A tinham uma casa de apostas como patrocinadora máster. Flamengo, Corinthians e Palmeiras estavam entre os contratos de maior valor. As marcas ocupavam ainda outras propriedades comerciais além da camisa.

Com a saída das bets, todos os clubes vão ao mercado ao mesmo tempo atrás de novos anunciantes. Essa concentração de espaços vagos tende a derrubar o preço das cotas. Entre as reivindicações discutidas estão um período de transição para os contratos e mecanismos de financiamento.

O governo federal trabalha em uma linha de crédito que pode chegar a R$ 20 bilhões para refinanciar dívidas do futebol. Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, descartou crédito emergencial estadual. “A gente tem outras prioridades. Tenho pessoas que precisam mais da ajuda do Estado”, disse.

Uma suspensão real dependeria de decisão dos clubes e de articulação com a CBF, que organiza o torneio. Alguns dirigentes consideram a hipótese. Outros afirmam que não existe mobilização concreta.

As contas do Flamengo

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, disse à CNN Brasil que o futebol brasileiro deve perder cerca de R$ 2,5 bilhões em receitas no ano que vem. No clube, a estimativa de perda imediata para 2027 fica entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões.

“Sem um preparo prévio, é absolutamente impossível que você consiga estancar essa sangria”, afirmou Bap. Segundo ele, o impacto alcança também os esportes olímpicos do clube.

O Flamengo já foi aceito como amicus curiae na ação do Supremo Tribunal Federal que discute a constitucionalidade da MP. O clube diz que não é contra a regulamentação, mas pede segurança jurídica para os contratos em vigor.

O que muda para quem aposta

Por enquanto, nada muda dentro de campo. O Brasileirão segue normalmente e a paralisação é só uma hipótese sem acordo. Mas o cenário mexe com quem acompanha o campeonato de perto.

  • Camisas sem marca de bet a partir de 5 de outubro. A MP exige a retirada de materiais publicitários e sinais de patrocínio até essa data.
  • Sites e aplicativos fora do ar dez dias após a publicação. Quem tem aposta de longo prazo em aberto, como campeão ou rebaixamento, deve conferir com a casa como fica a liquidação.
  • Dinheiro curto em 2027 afeta elenco. Clube que perde um terço da receita comercial reforça menos e vende mais. Isso pesa na leitura do momento de cada time na próxima temporada.
  • Risco de interrupção existe, mesmo pequeno. Um campeonato que não termina deixa qualquer mercado de temporada sem resolução clara.

Apostas são para maiores de 18 anos e devem ser feitas com responsabilidade. Em um momento de incerteza como este, a prioridade é proteger o saldo, não abrir posição nova.

O que esperar daqui para frente

A MP tem prazo de 120 dias para ser votada no Congresso. Enquanto isso, a ação no STF segue e os clubes continuam negociando alternativas. A reunião na Federação Paulista mostrou que a pressão por diálogo com o governo é grande, como detalhamos em clubes paulistas se reúnem na FPF após a MP das bets.

O próximo marco é 5 de outubro, quando as marcas de apostas devem sumir dos uniformes e dos estádios. A partir daí, fica mais claro quanto cada clube consegue recuperar no mercado de patrocínio.

Com informações de igamingbrazil.com.

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