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Bets vão ao STF até terça contra a MP; TCU diz que ilegais já têm até 51% das apostas

Presidente Lula, autor da MP das bets que será questionada no STF por entidades do setor de apostas

A briga pela MP das bets chega ao Supremo até terça-feira (29). Entidades do setor devem pedir uma liminar para suspender a proibição das apostas e dos jogos online no Brasil.

O movimento vem depois de Lula dizer, no domingo (27), que a regulação fracassou. “Não deu certo”, afirmou o presidente em entrevista à Band, dois dias depois de assinar a MP. Os números oficiais, porém, contam uma história mais complicada.

Como vai ser a ação no STF

A ANJL, o Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR) e outras entidades não vão abrir um processo novo. O plano é pedir a liminar dentro de quatro Ações Diretas de Inconstitucionalidade que já tramitam na Corte.

Essas ações estão com os ministros Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. A estratégia evita o sorteio de um novo relator.

Os principais argumentos do setor:

  • Loterias estaduais: em 2020, o STF reconheceu que estados e DF podem explorar loterias. A MP proíbe as apostas de quota fixa também nessas concessões.
  • Outorgas pagas: foram 85 licenças de R$ 30 milhões cada, R$ 2,55 bilhões por cinco anos de operação.
  • Sem indenização: a MP diz que não há direito a devolução. A ANJL promete cobrar o valor e ainda danos materiais e morais.

Um detalhe importante: a MP não acaba com as loterias estaduais. Ela só as impede de oferecer apostas de quota fixa. As demais modalidades seguem.

O que os números mostram

Via Lei de Acesso à Informação, a Fazenda informou receita bruta de jogo (GGR) de R$ 36,9 bilhões em 2025. No primeiro semestre de 2026, foram R$ 20,07 bilhões.

Esse mercado identificava cada apostador por CPF e reconhecimento facial. Segundo manifesto de nove associações, ele já barrava 3 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do BPC. Também havia recebido mais de 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão.

O ponto fraco estava do outro lado. O Tribunal de Contas da União concluiu que operadores sem autorização respondem por 41% a 51% de todo o volume apostado no país.

  • Receita anual dos ilegais: entre R$ 26 bilhões e R$ 40 bilhões, segundo o TCU.
  • Domínios já bloqueados: mais de 66 mil, segundo as associações.
  • Sites clandestinos no ar: 6.409 numa única semana de setembro.
  • Novos endereços ilegais: 14 por dia.

O TCU também apontou que o monitoramento de domínios é reativo. Ele depende de denúncia e de busca manual.

O que muda para quem aposta

A liminar é o caminho mais rápido para mudar o cenário. Se o STF suspender a MP, as regras anteriores tendem a valer de novo até o julgamento final.

Se o pedido for negado, segue valendo a MP. Aí a palavra final fica com o Congresso, que ainda não definiu como vai analisar o texto.

Enquanto isso, fique atento a três pontos:

  • Saldo: não deixe dinheiro parado esperando o STF. Veja o que fazer com o saldo na casa de apostas após a MP.
  • Sites clandestinos: com a saída das casas legais, a oferta ilegal cresce. Esses sites aceitam menores e cartão de crédito.
  • Proteções que somem: fora do mercado regulado, não há autoexclusão nem regulador para reclamar.

O economista Flávio Ataliba, da FGV/Ibre, aponta o risco central: quem migra para o ilegal é justamente o apostador mais compulsivo. Apostas são só para maiores de 18 anos e devem ser feitas com responsabilidade.

Os próximos passos

O pedido de liminar deve ser protocolado até terça-feira (29). Não há prazo fixo para a resposta do STF.

No Congresso, Davi Alcolumbre e Hugo Motta ainda não reuniram os líderes para definir a tramitação. A expectativa é que isso só aconteça depois do primeiro turno.

Se o Orçamento for aprovado e o Congresso entrar em recesso, a votação pode ficar para fevereiro de 2027. Até a noite de domingo, a consulta pública do Senado tinha quase 44 mil votos contra a MP e 5.604 a favor.

Com informações de bnldata.com.br.

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