A Câmara Municipal de São Paulo deve votar nos próximos dias um projeto que proíbe a publicidade de bets em eventos realizados na cidade. Isso inclui placas e painéis nos estádios.
A ameaça fez os grandes clubes paulistas agirem juntos. E a expectativa, segundo os bastidores, é de aprovação.
A reunião de emergência na Federação Paulista
Representantes de Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo e Juventus se reuniram na sede da Federação Paulista de Futebol na sexta-feira (11). O objetivo foi montar uma frente única de defesa.
Cerca de 40 profissionais participaram, das áreas jurídica, de comunicação e de marketing dos clubes. Executivos de cinco casas de apostas também estiveram à mesa.
A preocupação vai além da capital. Há propostas sobre o tema andando nas esferas federal, estadual e municipal. Mas a votação paulistana é a mais urgente.
O que diz o projeto de lei
O texto é do vereador João Jorge (MDB). Ele veta propaganda de operadoras de apostas em eventos organizados na cidade, sejam públicos ou privados, amadores ou profissionais.
Os pontos principais:
- Alcance mínimo: marcas em painéis, faixas e placas nas praças esportivas.
- Punições: de multa de R$ 50 mil até a proibição de realizar eventos esportivos por dois anos.
- Tramitação: já tem parecer favorável em todas as comissões e precisa de maioria simples em duas votações no plenário.
- Próximos passos: audiências públicas para ajustar o texto e, depois, sanção do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Hoje o texto não atinge os uniformes. Mas alguns vereadores defendem ampliar o veto também para as camisas.
Por que os clubes estão preocupados
O argumento central é dinheiro. Só os contratos de patrocínio de Corinthians, Palmeiras e São Paulo somam R$ 350 milhões por ano.
Os clubes temem ter de mandar jogos fora da cidade para não descumprir contratos em vigor. E dizem que uma lei municipal isolada cria desequilíbrio no futebol brasileiro.
O exemplo citado é o Flamengo. O clube carioca recebe quase R$ 270 milhões por ano de uma única plataforma e não seria afetado por uma regra paulistana.
O debate sobre dinheiro de bets no esporte e na cultura não é novo. Recentemente, o patrocínio de bets via Lei Rouanet também gerou polêmica.
O que muda para quem aposta
Na prática, o projeto não mexe com a aposta em si. Ele trata de propaganda em eventos. Não fala de bônus, saques, depósitos ou de quais casas podem operar.
Quem mora em São Paulo e aposta em casa autorizada continua podendo fazer isso normalmente. O que muda é o que aparece no estádio e nos eventos da cidade.
Alguns efeitos indiretos merecem atenção:
- Mando de campo: se algum clube tiver de jogar fora da capital, o fator casa muda. Isso afeta a leitura de jogos.
- Menos marca visível: sem placas, fica mais importante saber checar se uma casa é autorizada. As legalizadas no Brasil usam o domínio .bet.br.
- Finanças dos clubes: perda de patrocínio pode pesar em reforços e no planejamento das próximas temporadas.
Vale lembrar que as casas autorizadas já pagam uma carga relevante de tributos, como mostramos ao explicar os impostos das bets e o que muda para quem aposta. Apostas são só para maiores de 18 anos e devem ser feitas com responsabilidade.
Os próximos passos
Para barrar o projeto, clubes e casas de apostas planejam campanhas educativas, ações coletivas e conversas diretas com líderes políticos.
O calendário é apertado. A primeira votação no plenário está prevista para os próximos dias. Se passar, ainda haverá segunda votação e audiências públicas antes de o texto chegar ao prefeito.
Vale acompanhar de perto. O que São Paulo decidir pode servir de referência para outras cidades e para as propostas que andam nas esferas estadual e federal. E um ponto segue em aberto: se o veto vai ou não chegar às camisas dos clubes.
Com informações de igamingbrazil.com.





