A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) notificou TikTok, X, Google e Meta nesta semana. O pedido é um plano permanente para tirar do ar influenciadores de bets ilegais.
A ANJL representa empresas do mercado regulado. Para o apostador, o recado é direto: o perfil que indica uma casa de apostas nas redes pode estar levando você a um site sem licença.
O que a ANJL pediu às plataformas
O documento cobra ação contra perfis, aplicativos e conteúdos que promovem operadores clandestinos no Brasil. As medidas sugeridas incluem:
- identificar e remover publicações e perfis;
- desindexar esses conteúdos das buscas;
- bloquear aplicativos e contas;
- desativar perfis que divulgam bets ilegais de forma repetida;
- impedir que a conta derrubada volte com outro nome.
O último ponto é o mais difícil de cumprir. A ideia é que derrubar uma conta não resulte apenas numa troca de endereço.
O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, resumiu a preocupação. A entidade quer evitar que “providências meramente pontuais resultem na simples migração da atividade ilícita para novas contas, páginas, endereços ou formatos de divulgação”.
O tamanho do mercado ilegal
Segundo a ANJL, o mercado clandestino representa entre 38% e 44% do mercado brasileiro de apostas. São operadores que não seguem as regras nem passam pela fiscalização prevista na lei.
Para a associação, os influenciadores são a porta de entrada desse público. Lemos Jorge afirma que eles funcionam como “verdadeiros canais de aquisição de consumidores”.
A divulgação usa links, códigos promocionais, bônus e promessas de ganho financeiro. A ANJL pede ainda mecanismos específicos para proteger crianças e adolescentes, apontados como o público mais vulnerável.
Pressão sobre as bets vem de vários lados
A notificação sai num momento tenso para o setor. Nesta quarta-feira (16), o presidente Lula disse em entrevista a um podcast que tem “disposição pessoal” de acabar com as bets, mas que precisa ouvir outras pessoas antes de decidir.
A campanha de Lula também prepara um programa eleitoral com pessoas que desenvolveram dependência em apostas online. A gravação deve abordar perdas financeiras e rompimentos familiares.
A ANJL reagiu no mesmo dia. Para a entidade, proibir ou restringir demais o mercado legal pode empurrar o apostador justamente para os sites ilegais. Contexto: Lula já tinha atacado as bets e cobrado o Banco Central sobre o Pix.
O que isso significa para quem aposta
Uma notificação não obriga as plataformas a adotar o plano. Mas a pressão sobre as bigtechs aumenta, e a tendência é de menos espaço para quem divulga site ilegal.
O maior risco, porém, continua com o apostador. Em um site ilegal não há garantia de saque. Se a plataforma sumir, o dinheiro some junto — e não há órgão brasileiro para reclamar.
Antes de seguir a indicação de um influenciador, faça estas checagens:
- Confira o endereço: casas autorizadas no Brasil usam domínio terminado em .bet.br.
- Desconfie de bônus para começar: a lei proíbe as casas autorizadas de dar bônus ou vantagem antecipada para apostar.
- Ignore promessa de renda: aposta não é investimento nem forma de ganhar a vida.
- Olhe o destino do link: links encurtados podem esconder o endereço real do site.
O saque também é um bom termômetro. Veja como funciona o saque em uma casa de apostas e o que é normal esperar de uma empresa autorizada.
Apostas são para maiores de 18 anos e devem ser feitas com responsabilidade.
Próximos passos
Agora, resta saber se TikTok, X, Google e Meta vão responder à notificação e adotar as medidas. Novas restrições à publicidade de apostas também estão entre as possibilidades avaliadas pela campanha de Lula.
Enquanto isso, a melhor proteção segue nas mãos de quem aposta: desconfiar de atalhos e usar só casas autorizadas.
Com informações de bnldata.com.br.





