A partir da próxima rodada, o Brasileirão das Séries A e B passa a operar com um conjunto de regras inéditas na arbitragem nacional. A CBF levou aos clubes, nesta segunda-feira (10), uma proposta baseada nas normas aplicadas na última Copa do Mundo — e a ideia foi aprovada por unanimidade. O objetivo é claro: reduzir a “cera” e aumentar o tempo de bola rolando, um problema crônico do futebol brasileiro.

O que muda em campo
A partir de agora, os árbitros vão cronometrar boa parte das ações do jogo:
- 8 segundos para o goleiro repor a bola com as mãos — se estourar o prazo, escanteio para o time adversário;
- 5 segundos para cobrança de lateral, contados a partir do momento em que o jogador pega a bola;
- 5 segundos para o tiro de meta — excedendo o tempo, escanteio também é a penalidade;
- 10 segundos para o jogador substituído deixar o gramado, sempre pelo ponto mais próximo da linha;
- 1 minuto fora de campo para quem receber atendimento médico durante a partida.
Uma regra chama atenção em particular: se o goleiro precisar de atendimento médico, um jogador de linha terá que sair do campo por um minuto, à escolha do técnico ou do capitão — um jeito de evitar que o time se beneficie tendo um jogador extra em campo enquanto o goleiro é atendido.
Fim dos “bolinhos” e o “Protocolo Vini Jr”
utras mudanças miram o comportamento em campo. Somente o capitão poderá dialogar com o árbitro durante o jogo, acabando com as famosas rodinhas de reclamação. Já o chamado “Protocolo Vini Jr” prevê expulsão automática para quem cobrir a boca durante uma discussão em campo.
No campo tecnológico, o VAR ganha um novo poder: poderá revisar a aplicação de segundo cartão amarelo que resulte em expulsão. Para 2027, está prevista ainda a possibilidade de o VAR revisar escanteios concedidos por engano, desde que a revisão aconteça antes da cobrança.
As novas regras não valem só para o Brasileirão: elas também passam a valer a partir das quartas de final da Copa do Brasil e no Brasileirão Feminino A1.
Por que a mudança: o Brasil está atrás das grandes ligas
O gatilho para a mudança foi um estudo da própria CBF. Em 177 jogos analisados do Brasileirão Série A nesta temporada, a bola ficou rolando, em média, apenas 52 minutos e 54 segundos por partida — bem abaixo dos 60 minutos que a Fifa considera ideal.
Para efeito de comparação, nenhuma das cinco grandes ligas europeias bateu essa marca na última temporada, mas todas ficaram à frente do Brasil:

Por que a mudança: o Brasil está atrás das grandes ligas
O gatilho para a mudança foi um estudo da própria CBF. Em 177 jogos analisados do Brasileirão Série A nesta temporada, a bola ficou rolando, em média, apenas 52 minutos e 54 segundos por partida — bem abaixo dos 60 minutos que a Fifa considera ideal.
Para efeito de comparação, nenhuma das cinco grandes ligas europeias bateu essa marca na última temporada, mas todas ficaram à frente do Brasil:
| Liga | Tempo médio de bola rolando |
|---|---|
| MLS (EUA) | 57min12s |
| Bundesliga (Alemanha) | 56min18s |
| Ligue 1 (França) | 56min17s |
| Premier League (Inglaterra) | 55min23s |
| LaLiga (Espanha) | 55min09s |
| Série A (Itália) | 54min28s |
| Brasileirão (antes da mudança) | 52min54s |
Com as novas regras, a expectativa da CBF é elevar esse número para uma faixa entre 57 e 58 minutos ainda neste ano, buscando no médio prazo alcançar o patamar recomendado pela Fifa — o que também vai depender de uma melhor capacitação dos árbitros.



