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Sports bars e influenciadores: o que vem por aí

Ambiente de sports bar com telas de jogos, formato que chega ao mercado de apostas no Brasil

O setor de apostas discutiu em João Pessoa dois assuntos que chegam direto no bolso de quem aposta: a aposta presencial em sports bars e o cerco aos influenciadores. Os últimos painéis do BiS João Pessoa foram realizados na quinta-feira (17).

Nenhum dos dois temas é abstrato. Um muda onde você vai apostar. O outro muda o que você vai ver no seu feed.

Sports bar não é bar com jogo. É o contrário

A definição veio de Joberto Porto, chief legal officer da CDA Gaming. Segundo ele, “não é um bar que tem jogo, é o contrário. É um ambiente de jogo que tem um entretenimento a mais”.

Porto explicou que a operação se sustenta em três pilares: o jogo, a experiência do apostador e a integridade. O jogo é o que ele chamou de “o produto âncora, que traz a receita”. Gastronomia e bebida são camadas ao redor.

Lucinéia Souzza, diretora jurídica e de compliance da Bethanus, contou que participou de um projeto de sports bar que levou mais de um ano para sair do papel. “Não é algo simples, é complexo unir vários segmentos em um setor tão sensível”, afirmou.

Ela foi direta sobre o risco de misturar apostas e álcool no mesmo espaço: “Quando se unem vários segmentos, como o setor de jogos e apostas e o de bebidas alcoólicas, a responsabilidade se torna muito maior”.

A Itália como espelho — e o alerta sobre publicidade

Fábio Tibéria, vice-presidente da BetConstruct, está há 20 anos no Brasil e comparou os dois mercados. Para ele, o que mais mudou desde 2011 foram a tecnologia e os métodos de pagamento.

O alerta veio na sequência. “O Brasil está percorrendo a mesma trajetória que a Itália, estamos falando há meses da proibição da publicidade. Na Itália, isso aconteceu em 2018, quando o governo começou a proibir a publicidade das casas de apostas, só a loteria nacional poderia fazer publicidade”, disse.

Tibéria também avaliou que os sports bars representam uma tendência de migração para o mundo físico. “Sports bar é a nova geração. Como a Itália, o Brasil também está se direcionando ao mercado físico”, completou.

Esse debate não está só no evento. Ele já chegou aos estádios e às camisas, como no caso da tentativa de proibir a publicidade de bets em São Paulo.

Influenciador: o ponto que ninguém resolveu

Bárbara Teles, head de Legal e Compliance da Playtech Brasil, apontou a origem do problema. “Em 2018, tivemos a legalização das apostas esportivas, mas ficamos mais de seis anos sem uma regulação”, afirmou.

Nesse intervalo, segundo ela, conviveram operadores que buscaram promover o jogo responsável e outros que atuaram de forma irresponsável.

Natalia Nogues, CEO da Control F5, foi mais específica sobre quem continua no mesmo jogo. Ela destacou os microinfluenciadores que mantêm as práticas do período sem regulação: “Eles seguem fazendo exatamente o mesmo trabalho”.

Para ela, a solução passa por plataforma e punição. “A Meta tem que ter algoritmos, tem que estar constantemente bloqueando. Temos que ter responsabilidade, como pessoas da indústria, de exigir que esses meios bloqueiem e que os órgãos também punam esses influenciadores”, frisou.

Leonardo Benites, CEO da Propane, colocou a culpa na falta de repertório. “Qualquer problema da nossa indústria cai no ponto da educação. O brasileiro, graças ao banimento de quase um século, não tem quase nenhuma educação sobre o segmento de apostas, e isso também vale para o influenciador”, declarou. A cobrança contra a divulgação irregular já virou pauta formal, como na ação da ANJL contra influenciadores de bets ilegais.

O que muda para quem aposta

Traduzindo os painéis para a prática:

  • Aposta presencial deve crescer. Sports bar é um ponto físico de aposta com comida e bebida em volta. Quem aposta hoje só pelo celular vai ter uma opção a mais — e um ambiente que empurra a permanecer no local.
  • Álcool e aposta juntos pedem mais cuidado. O próprio setor reconhece o risco. Decisão tomada com bebida na mesa costuma ser decisão pior.
  • A publicidade pode encolher. Se o caminho italiano se repetir, você verá menos anúncio de casa de apostas — e vai depender mais de pesquisa própria para saber quem é licenciado.
  • Dica de influenciador não é informação. O próprio setor admite que parte dos microinfluenciadores segue divulgando operação irregular. Palpite pago não é análise.

No último painel, Beetto Saad, apresentador e diretor da BandSport e da Agência BPS, alertou sobre a medida provisória em discussão. Segundo ele, se a MP passar, “o futebol brasileiro e a mídia vão cair num abismo absolutamente irreversível”. Arthur Lobo, fundador da Confut, disse que o mercado já vive a incerteza.

Apostar é para maiores de 18 anos e deve ser feito com responsabilidade, com valor que você aguenta perder.

O que observar nas próximas semanas

Duas frentes concentram a atenção: o andamento da MP no Congresso e o avanço dos primeiros projetos de sports bar licenciados.

Se a proibição de publicidade ganhar tração, a checagem de licença passa a ser tarefa sua antes de cada depósito. É o hábito mais barato de adquirir agora.

Com informações de igamingbrazil.com.

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