O presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou o combate às plataformas de apostas no centro da campanha à reeleição e sinalizou que pretende vetar os cassinos online, conhecidos como jogo do tigrinho.
A decisão final começa a ser discutida nesta quarta-feira (23), após o retorno do presidente da Assembleia-Geral da ONU. A apuração é da Folha de S.Paulo.
Tigrinho e aposta esportiva não são a mesma coisa
Essa distinção está no centro da discussão e muita gente confunde.
O tigrinho é cassino online: jogo de azar digital que não depende de nada que aconteça no mundo real. O resultado sai do próprio sistema.
Aposta esportiva é outra coisa. Ela depende do resultado de uma partida de futebol, de um jogo de basquete, de um evento que existe fora da tela.
Segundo as fontes ouvidas pela reportagem, mesmo no cenário menos restritivo o governo deve mirar especificamente o tigrinho. E aí está o ponto sensível: essa é a modalidade responsável pela maior parte do faturamento das empresas do setor.
Os obstáculos que o próprio governo enxerga
Integrantes do governo que participam das conversas apontam barreiras tanto para a proibição total quanto para restrições parciais.
- As bets legalizadas pagaram R$ 30 milhões cada para operar por cinco anos, e proibir agora abre risco de indenização judicial
- Há receio de que as plataformas proibidas sigam acessíveis na prática, o que seria desmoralizante para o governo
- Qualquer medida provisória ou projeto de lei precisa passar pelo Congresso, onde o setor tem força
- As empresas patrocinam influenciadores digitais, que podem se voltar contra a campanha
Não é detalhe burocrático. São os fatores que definem se a medida sai, quando sai e com que alcance.
Por que o tema virou campanha
A pauta tem respaldo popular. Pesquisa Datafolha divulgada em maio de 2026 mostrou que 57% dos brasileiros consideram as apostas online um vício, e 31% as avaliam como forma de perda de dinheiro.
A propaganda de TV contra as bets estreou nesta terça-feira (22), com uma conversa de Lula com pessoas endividadas pelo vício em jogo. O tema também apareceu nos comícios em Guarulhos e em Florianópolis.
Aliados do presidente apontam as bets como parte da explicação para o endividamento das famílias. Um estudo do Comsefaz com o Cicef calcula que brasileiros perderam R$ 62,5 bilhões para as plataformas em 2025, número contestado por parte do setor.
O que muda para quem aposta
Por enquanto, nada muda na prática. Nenhuma medida foi publicada, e a discussão começa agora.
Se o veto atingir só o cassino online, quem aposta em futebol nas casas autorizadas continua com o mercado funcionando. Quem gira dinheiro em tigrinho é que sentiria o baque.
O risco real, nesse cenário, é a migração para sites clandestinos. Fora do mercado regulado não existe garantia de saque, limite de depósito, verificação de idade nem canal de reclamação.
Vale acompanhar também o efeito sobre as casas menores. Já detalhamos aqui o que uma MP de restrição às bets pode mudar na prática, e o desenho da medida é o que separa um ajuste de um terremoto.
Se você aposta, esse é um bom momento para revisar o básico: use apenas casas autorizadas, não deposite o que não pode perder e mantenha o saldo em movimento em vez de parado. Apostas são para maiores de 18 anos e exigem responsabilidade.
O que esperar dos próximos dias
O calendário é curto. A discussão interna começa nesta quarta-feira, e auxiliares tratam alguma medida como iminente.
O que vale observar é o formato: proibição total, veto apenas ao cassino online ou restrição de publicidade e meios de pagamento. Cada opção tem efeito bem diferente para o apostador.
Já tratamos aqui do custo fiscal que uma proibição do cassino online representa para o governo, e essa conta continua sendo o principal freio dentro do Palácio do Planalto.
Até a medida sair do papel, nada muda no seu bolso. Mas o desenho dela vai definir o mercado brasileiro pelos próximos anos.
Com informações de bnldata.com.br.





