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Janela de transferências do Fluminense: acertos e a lacuna

Jogadores do Fluminense em campo durante a temporada 2026, na reta final da janela de transferências

A janela de transferências do Fluminense terminou com uma conta curta e um recado claro: dois reforços para o elenco principal, os dois virando titulares imediatos. O problema é o que ficou de fora — o meio-campo perdeu Facundo Bernal e não recebeu ninguém no lugar.

É um balanço de duas leituras. Pelo lado de dentro, a diretoria acertou nos dois setores que tratou como prioridade. Pelo lado de fora, a janela fechou com uma vaga descoberta justamente na posição que mais sofre em jogo de Libertadores fora de casa.

Hulk e Thiago Silva: duas contratações que viraram peças fixas

Hulk foi o movimento de maior peso. O atacante deixou o Atlético-MG e assinou até o fim de 2027. O início não foi simples — houve cobrança da torcida e desconfiança sobre o encaixe —, mas o camisa 7 foi crescendo no trabalho de Marcão até assumir o protagonismo ofensivo que se esperava dele. São cinco gols e três assistências em 13 jogos com a camisa tricolor.

Thiago Silva seguiu outro caminho: rescindiu com o Porto, voltou ao clube e assinou até dezembro. Aos 41 anos, tomou uma das vagas na zaga logo de saída e entregou exatamente o que a diretoria procurava ali — experiência e comando na linha defensiva.

Um detalhe importante do ponto de vista financeiro: nenhum dos dois custou nada em direitos econômicos. O investimento do Fluminense foi concentrado em salários e luvas, o que explica como o clube conseguiu dois nomes desse porte em uma janela sem grandes entradas de caixa planejadas.

A venda de Bernal e o buraco no meio-campo

Facundo Bernal foi a principal venda do período. O uruguaio saiu para o Real Betis por US$ 12 milhões, cerca de R$ 62 milhões, pela totalidade dos direitos econômicos — o Fluminense detinha 60% do passe.

Com o dinheiro no bolso e a vaga aberta, o clube foi ao mercado procurar um primeiro volante. Nenhuma negociação avançou, e a diretoria decidiu empurrar o movimento para a próxima janela. A aposta, por ora, é interna: Martinelli, Hércules e Nonato deram respostas recentes no setor, e nenhuma oportunidade considerada boa apareceu na mesa.

Quem saiu além de Bernal

O Fluminense também aproveitou a janela para mexer com quem tinha menos espaço:

  • Agner — vendido ao Sharjah, dos Emirados Árabes
  • Davi Schuindt — negociado em definitivo com o AVS, de Portugal
  • Terans — emprestado ao Atlético-GO
  • Davi Melo — cedido ao Central Español, do Uruguai
  • Lelê — segue no Pafos, do Chipre, com empréstimo estendido até 2027 e 200 mil euros ao clube

Lima, que havia voltado da passagem pelo América-MEX, foi novamente emprestado — desta vez para o Santos, até o fim da temporada.

As vendas grandes que o mercado esperava não saíram. Martinelli, Hércules, Kevin Serna e Canobbio apareciam como nomes com potencial de negociação, mas nenhuma proposta chegou nos valores que o clube considerava adequados. John Kennedy despertava interesse da Lazio antes da grave lesão no joelho.

O que o mercado fechado muda para quem aposta

A falta de vendas limitou o caixa, mas trouxe um efeito esportivo que vale observar: o Fluminense preservou praticamente toda a base do elenco para a Libertadores e para a briga na parte de cima do Brasileirão. Time que mantém a espinha dorsal tende a ser mais previsível — e isso aparece no comportamento das odds, que oscilam menos quando não há dúvida sobre quem entra em campo.

O ponto de atenção é o oposto disso. Sem um primeiro volante de origem, a escalação do meio depende de como Marcão vai equilibrar Martinelli, Hércules e Nonato jogo a jogo. Em partida fora de casa na Libertadores, é ali que a conta costuma apertar. Quem acompanha o Fluminense de perto ganha mais lendo a escalação confirmada do que antecipando o mercado — vale esperar a confirmação antes de decidir qualquer coisa. Apostas são para maiores de 18 anos e devem ser feitas com responsabilidade, sempre com valor que não comprometa o orçamento.

O próximo teste vem no calendário apertado de setembro, com o time cobrando de si mesmo a sequência que a vitória sobre o Platense na Libertadores abriu. Se o meio-campo aguentar sem reforço até a próxima janela, a decisão da diretoria vira acerto. Se não aguentar, janeiro chega com uma pendência conhecida e mais caro.

Com informações de www.lance.com.br.

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