O presidente Lula voltou a atacar as casas de apostas e disse que sua vontade é “fechar” as bets. Por enquanto, nenhuma medida concreta foi anunciada: para quem aposta, as regras seguem as mesmas.
A fala foi numa live de campanha na noite de domingo (13). Nela, Lula cobrou o Banco Central por não ter percebido um apostador que fez 1.400 Pix em três meses.
O que Lula disse sobre as bets
Segundo o presidente, ele se reuniu no mesmo dia com oito pessoas que chamou de “vítimas das bets”. Uma delas seria o rapaz dos 1.400 Pix.
“Hoje conheci um rapaz que fez 1.400 pix em 3 meses e o Banco Central não descobriu que é pix demais para a mesma empresa?”, questionou Lula.
Ele classificou o mercado como “uma coisa incontrolável” e afirmou que o governo está “discutindo” o que fazer. Na live, não detalhou proposta, texto ou prazo.
Quem já vigia o Pix do apostador
O controle cobrado do Banco Central já existe, e fica dentro do próprio governo. Desde o início de 2025, o Sigap acompanha diariamente as casas licenciadas.
O sistema foi desenvolvido pelo Serpro para a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda. As operadoras enviam seis tipos de arquivo: cinco diários e um mensal.
Entre os dados que chegam à SPA estão:
- o cadastro de cada apostador;
- a movimentação da carteira, ou seja, quanto dinheiro entrou e saiu;
- arquivos separados para apostas esportivas e jogos online;
- um retrato diário da operação de cada empresa.
Na avaliação do BNLData, 1.400 Pix para a mesma casa é exatamente o tipo de padrão que o Sigap foi criado para captar.
O que muda para quem aposta
Hoje, nada muda no depósito, no saque ou no funcionamento das casas autorizadas. O que existe é incerteza: se o discurso virar regra, o mercado regulado pode ser afetado.
Enquanto isso, há uma ferramenta que pouca gente conhece. Desde dezembro de 2025, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão funciona em gov.br/autoexclusaoapostas.
- Exige conta gov.br nível prata ou ouro.
- Bloqueia de uma vez todos os sites de apostas autorizados.
- Deixa o CPF indisponível para novos cadastros em bets.
- Corta a publicidade direcionada de apostas.
- As casas têm até 72 horas para aplicar o bloqueio.
A plataforma também indica pontos de atendimento do SUS. A procura cresceu: os atendimentos por transtorno do jogo no SUS passaram de 2.262 em 2023 para 3.490 em 2024, segundo o governo.
Apostas são para maiores de 18 anos e devem ser feitas com responsabilidade. Se a aposta virou dívida, entenda o que os dados mostram sobre apostadores e empréstimos. Em sofrimento emocional, o CVV atende de graça pelo telefone 188.
O risco que fica fora do radar
Para o apostador, o maior perigo está nos sites clandestinos. Levantamento da LCA Consultores com base em pesquisa do Instituto Locomotiva, feito para o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), mediu esse tamanho.
Entre 38% e 44% das apostas online do primeiro semestre de 2026 ainda aconteceram em plataformas ilegais. A faixa caiu em relação a 2025, quando ficou entre 41% e 51%, mas segue entre as mais altas do mundo.
Nesses sites não há Sigap, autoexclusão nem obrigação de jogo responsável. Se o saque travar, a proteção é bem menor. Por isso, antes de depositar, confirme se a casa é autorizada pela SPA.
O setor regulado faturou cerca de R$ 37 bilhões em 2025, menos de 0,3% do PIB, segundo dados da SPA e do IBGE. A leitura do BNLData é que o esforço do governo renderia mais contra o mercado ilegal do que contra as casas já fiscalizadas.
Com a campanha eleitoral em curso, o tema deve seguir na pauta. O ponto a acompanhar é se a fala vira proposta formal, porque só aí haveria mudança real para o apostador, inclusive nos impostos cobrados das bets.
Com informações de bnldata.com.br.





